Textos

Fruto da vivência e da recolha de diverso material ao longo de décadas de atividade profissional – bem como de pura paixão e dedicação ­– estesite constitui um complemento do livro “RALLYE 125 ANOS – GÉNESE E EVOLUÇÃO”, o qual relata a memória da história dos ralis em todo o mundo, com o emocionante manancial de estórias humanas, de vitórias e grandes feitos. 

Grande parte dos textos e fotos aqui publicados têm a particularidade de não terem sido incluídos no livro, por manifesta falta de espaço. Pelo que, acreditamos, ser esta uma oportunidade única – e sempre disponível à distância de um click – para conhecer incríveis estórias e saber mais sobre a fabulosa história dos ralis a nível mundial. 

Pela primeira vez no mundo editorial, a evolução da mecânica dos carros dada na descrição dos modelos mais marcantes de cada época e em gráficos do ganho de performances nas principais provas. Desde as primeiras provas cidade a cidade no final do Séc. XIX até aos ralis mais prestigiantes e competitivos dos primeiros vinte anos do Século XXI.


Capítulo 1


1895 a 1914

Génese dos ralis

EMOCIONANTE HISTÓRIA DE SUCESSO:

DESAFIO, AVENTURA E CRIATIVIDADE HUMANAS

As corridas cidade-a-cidade do final do Séc. XIX foram as precursoras dos ralis. Depois houve que definir e escolher: ralis turísticos ou competitivos; regularidade ou competição pura. A velocidade levou a melhor, apesar dos problemas de segurança: estradas sem condições, crescente aumento de espectadores e da performance dos automóveis, e estagnação na segurança, causaram a carnificina no Paris-Madrid, em 1903, e a proibição das corridas em estrada aberta. A competição teve de se reinventar. Nasceram os verdadeiros ralis.


Capítulo 2


1920 – 1940

Primeiras evoluções

PROVAS DO PASSADO EVOLUEM.

CARROS: PERFORMANCE E FIABILIDADE

O automobilismo de estrada reergue-se dos escombros políticos e económicos da I Grande Guerra. A FIA cria a C. S. I. regulamentando esta rápida evolução. As grandes provas do final do período pré-guerra tornam-se os maiores ralis do mundo. Dois tipos de provas convivem e ambas atraem pilotos e marcas, um que aposta nos ralis com longos itinerários de concentração com provas de regularidade ou velocidade, e outro que elege a velocidade e resistência em toda a sua extensão.Grande evolução mecânica resulta em novas performances e maior resistência.



Capítulo 3


1946 a 1968

Diversificação e Consolidação

RALIS: A MAIOR REVOLUÇÃO DA HISTÓRIA.

PILOTOS E CARROS MAIS COMPETITIVOS

Variedade de tipos de ralis, na busca de itinerários – com ou sem estradas – valorizando antigas provas e criando novas. As PEC – Provas Especiais de Classificação – e as notas de andamento mudam os ralis para sempre. Popularidade cresce, mas grandes provas desaparecem. Marcas renascem e apoiam provas competitivas. DKW e SAAB destacam-se com motor a 2 tempos. Mercedes e Citroën, das mais participativas. Mini Cooper S e Ford Escort dominam final dos anos ’60. FIA e CSI criam Campeonatos da Europa de pilotos e Internacional de Marcas, com novos regulamentos técnicos.


Capítulo 4


1969 a 1980

Desenvolvimento orgânico

PROFISSIONALIZAÇÃO CONSOLIDADA.

MARKETING AJUDA EVOLUÇÃO, MAS PROVAS DESAPARECEM NA EUROPA.

CINCO MARATONAS

Em 1969 abriram-se novas perspectivas para os ralis, que se desenvolveram muito nas duas décadas que se seguiram.

A FIA contribuiu para a evolução, com o Campeonato da Europa para Marcas, a Taça Internacional para Pilotos, em 1959, e o Campeonato do Mundo de Pilotos e de Marcas, em 1973. Realizaram-se quatro grandes maratonas, a melhor foi a Londres-México.

Capítulo 5


1981 a 1986

Supercarros

 CAIXA DE PANDORA

A CURTA ERA DOS GRUPO B

 

Em 1980, a Audi sacudiu o mundo dos Ralis com o revolucionário quattro, de quatro rodas motrizes e motor sobrealimentado. O paradigma tinha mudado definitivamente. Um ano depois, o novo Anexo J, criando o Grupo B, abriria uma Caixa de Pandora no automobilismo. Duraria apenas cinco anos, devido aos acidentes fatais que os novos carros tiveram em 1985 e 1986. As novas performances suplantavam as capacidades humanas, de pilotos e de organizadores. A FISA dera “um tiro no pé”.

A aerodinâmica chega aos ralis.

Capítulo 6


1987-1996

Grupos N e A

 Emancipação, da loucura à sanidade.

Domínios da Lancia e dos japoneses.

 

Finalmente os ralis ganharam alguma sanidade depois do período de tantos acidentes mortais. Lançada uma Taça para Senhoras e, a partir de 1993, a Fórmula 2, para carros de duas rodas motrizes, e a Taça do Mundo para Pilotos de Carros de Grupo N ganha cinco vezes por latino-americanos.

Regulamentos mais apertados em segurança a partir de 1993, com Max Mosley na Presidência da FIA.

CAPÍTULO 7

1997-2009

Nova era – WRCars

Ralis padronizados e mais seguros.

Carros muito mais performantes.

 

Ralis conquistam estabilidade e mudam de formato adotando um padrão. E perderam a sua diferenciação. Com algumas exceções, como o Safari. Mas, esta padronização era essencial para as equipas. Assistências passaram a ser proibidas fora dos Parques de Assistência, os paddocks dos ralis – um por etapa ou por série de PEC feitas em rondas, repetidas duas ou três vezes no mesmo dia. A cronometragem passou a ser ao décimo de segundo. Limite de extensão de etapas acabou com noitadas.

CAPÍTULO 8

2010 – 2020

 MANTIDA DITADURA DOS SÉBASTIEN.

WRCARS: PERFORMANCES

IGUAIS AOS GRUPO B

 

A última década do Mundial de Ralis assistiu à transferência de poder entre o piloto mais bem-sucedido da história e um sucessor digno, compatriota e, até, homónimo. O WRC passou do reinado de Sébastien I da Alsácia (Loeb) para Sébastien II de Gap (Ogier).

Os carros evoluíram muito em potência e na aerodinâmica com performances equiparadas aos Grupo B, mas mais seguros.

CAPÍTULO 9


RALI DAKAR 1979-2021

O MAIS FAMOSO DOS GRANDES RAIDS

HISTÓRIA DO DAKAR: O ETERNO DESAFIO

 

Quase todos os pilotos do mundo encaram com receio esta prova onde muitos ficaram reféns dos seus encantos. O Dakar é mais do que apenas uma corrida, é uma aventura que não se compadece com os limites físicos, técnicos ou geográficos. Pode ir sempre mais além, e é aí que reside a sua magia.

 

Por Jose Armando Gómez

CAPÍTULO 10


RALIS EM PORTUGAL

1902-1940

UMA CERTA INFLUÊNCIA FRANCESA


A famosa corrida Figueira da Foz-Lisboa, organizada em 1902, tinha o formato de um rali moderno com uma única classificativa. Durante a revolução republicana praticamente não se realizaram provas automobilísticas entre nós e seria na década de 1930 que o rali se popularizaria, claramente inspirado nas tendências europeias daquela época.

Por José Barros Rodrigues